Frei Simão III
Difficulty: Medium    Uploaded: 8 years, 2 months ago by Santxiki     Last Activity: 7 years, 1 month ago
Fin
37 Units
100% Translated
100% Upvoted
Pasaron días y días y no llegaba el momento de volver a casa de los padres. El exnovelista era en verdad fértil y no se cansaba de inventar pretextos que dejaban convencido al muchacho.

Entretanto, como la mente de los amantes no es menos ingeniosa que la de los novelistas, Simón y Helena encontraron un medio para escribirse, de esa manera se podían consolar por la ausencia, con la presencia de las letras y del papel. Bien dice Heloísa que el arte de escribir fue inventado por alguna amante separada de su amante. En estas cartas ambos se juraban eterna fidelidad.

Al cabo de dos meses de espera inútil y de activa correspondencia, la tía de Helena sorprendió una carta de Simón. Creo que era la vigésima. Hubo un gran temporal en casa. El tío, que se encontraba en la oficina, salió precipitadamente y tomó conocimiento del asunto. El resultado fue prohibir en la casa la tinta, las plumas y el papel, y establecer una rigurosa vigilancia sobre la desdichada joven.

Comenzaron por consiguiente a escasear las cartas al pobre deportado. Inquirió la causa de esto en cartas lloradas y largas; pero como el rigor fiscal de la casa de su padre adquiría proporciones descomunales, ocurría que todas las cartas de Simón iban a parar a las manos del viejo, que, después de apreciar el estilo amoroso de su hijo, hacía quemar las ardientes epístolas.

Pasaron días y meses. Ninguna carta de Helena. El corresponsal iba agotando su vena inventiva y ya no sabía cómo retener finalmente al joven.

Le llega una carta a Simón. Era la letra de su padre. Solo se diferenciaba de las otras que recibía del viejo en que esta era más larga, mucho más larga. El chico abrió la carta y la leyó tembloroso y pálido. Contaba en esta carta el honrado comerciante que Helena, la buena muchacha que él había destinado para que fuera su hija casándose con Simón, la buena Helena había muerto. El viejo había copiado alguna de las últimas necrológicas que había visto en los periódicos y había adjuntado algunos consuelos de casa. El último consuelo fue decir que se embarcase y fuera a verlo.

El último párrafo de la carta decía: Así que al fin no se realizan mis propósitos; no te pude casar con Helena, visto que Dios la llevó. Pero vuelve, hijo, ven; te podrás consolar casándote con otra, la hija del consejero***. Está hecha una moza y es un buen partido. No te desalientes; acuérdate de mí.

El padre de Simón no conocía bien el amor de su hijo, ne era un águila para valorarlo, por más que lo conociese. Dolores semejantes no se consuelan con una carta ni con una boda. Era mejor mandarlo llamar y después prepararle la noticia; pero dada así, fríamente, en una carta, era exponer al joven a una muerte cierta.

Quedó Simón vivo en el cuerpo pero muerto moralmente, tan muerto que, por idea propia, de allí fue a buscar una sepultura. Era mejor ofrecer aquí algunos de los papeles escritos por Simón con relación a los que sufrió después de la carta; pero hay muchas omisiones y no quiero corregir la exposición ingenua y sincera del padre.

La sepultura que Simón escogió fue un convento. Respondió al padre que agradecía a la hija del consejero, pero que de ese día en adelante pertenecía al servicio de Dios.

El padre se quedó asombrado. Nunca sospechó que su hijo pudiera llegar a semejante resolución. Escribió con prisa para ver si lo desviaba de la idea; pero no lo pudo conseguir.

En cuanto al corresponsal, para quien todo se embrollaba cada vez más, dejó al chico seguir para el claustro, dispuesto a no participar en un asunto del que realmente nada sabía.
unit 1
Passaram-se dias e dias, e nada de chegar o momento de voltar à casa paterna.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 4
Bem diz Heloísa que a arte de escrever foi inventada por alguma amante separada do seu amante.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 5
Nestas cartas juravam-se os dois sua eterna fidelidade.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 7
Era a vigésima, creio eu.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 8
Houve grande temporal em casa.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 9
O tio, que estava no escritório, saiu precipitadamente e tomou conhecimento do negócio.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 11
Começaram pois a escassear as cartas ao pobre deportado.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 8 years, 2 months ago
unit 13
Passaram-se dias e meses.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 14
Carta de Helena, nenhuma.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 15
O correspondente ia esgotando a veia inventadora, e já não sabia como reter finalmente o rapaz.
2 Translations, 1 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 16
Chega uma carta a Simão.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 17
Era letra do pai.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 18
Só diferençava das outras que recebia do velho em ser esta mais longa, muito mais longa.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 19
O rapaz abriu a carta, e leu trêmulo e pálido.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 22
A última consolação foi dizer-lhe que embarcasse e fosse ter com ele.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 24
Mas volta, filho, vem; poderás consolar-te casando com outra, a filha do conselheiro ***.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 25
Está moça feita e é um bom partido.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 26
Não te desalentes; lembra-te de mim.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 28
Dores tais não se consolam com uma carta nem com um casamento.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 32
A sepultura que Simão escolheu foi um convento.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 34
O pai ficou maravilhado.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 35
Nunca suspeitou que o filho pudesse vir a ter semelhante resolução.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago
unit 36
Escreveu às pressas para ver se o desviava da idéia; mas não pôde conseguir.
1 Translations, 2 Upvotes, Last Activity 7 years, 1 month ago

Passaram-se dias e dias, e nada de chegar o momento de voltar à casa paterna. O ex-romancista era na verdade fértil, e não se cansava de inventar pretextos que deixavam convencido o rapaz.

Entretanto, como o espírito dos amantes não é menos engenhoso que o dos romancistas, Simão e Helena acharam meio de se escreverem, e deste modo podiam consolar-se da ausência, com presença das letras e do papel. Bem diz Heloísa que a arte de escrever foi inventada por alguma amante separada do seu amante. Nestas cartas juravam-se os dois sua eterna fidelidade.

No fim de dois meses de espera baldada e de ativa correspondência, a tia de Helena surpreendeu uma carta de Simão. Era a vigésima, creio eu. Houve grande temporal em casa. O tio, que estava no escritório, saiu precipitadamente e tomou conhecimento do negócio. O resultado foi proscrever de casa tinta, penas e papel, e instituir vigilância rigorosa sobre a infeliz rapariga.

Começaram pois a escassear as cartas ao pobre deportado. Inquiriu a causa disto em cartas choradas e compridas; mas como o rigor fiscal da casa de seu pai adquiria proporções descomunais, acontecia que todas as cartas de Simão iam parar às mãos do velho, que, depois de apreciar o estilo amoroso de seu filho, fazia queimar as ardentes epístolas.

Passaram-se dias e meses. Carta de Helena, nenhuma. O correspondente ia esgotando a veia inventadora, e já não sabia como reter finalmente o rapaz.

Chega uma carta a Simão. Era letra do pai. Só diferençava das outras que recebia do velho em ser esta mais longa, muito mais longa. O rapaz abriu a carta, e leu trêmulo e pálido. Contava nesta carta o honrado comerciante que a Helena, a boa rapariga que ele destinava a ser sua filha casando-se com Simão, a boa Helena tinha morrido. O velho copiara algum dos últimos necrológios que vira nos jornais, e ajuntara algumas consolações de casa. A última consolação foi dizer-lhe que embarcasse e fosse ter com ele.

O período final da carta dizia:

Assim como assim, não se realizam os meus negócios; não te pude casar com Helena, visto que Deus a levou. Mas volta, filho, vem; poderás consolar-te casando com outra, a filha do conselheiro ***. Está moça feita e é um bom partido. Não te desalentes; lembra-te de mim.

O pai de Simão não conhecia bem o amor do filho, nem era grande águia para avaliá-lo, ainda que o conhecesse. Dores tais não se consolam com uma carta nem com um casamento. Era melhor mandá-lo chamar, e depois preparar- lhe a notícia; mas dada assim friamente em uma carta, era expor o rapaz a uma morte certa.

Ficou Simão vivo em corpo e morto moralmente, tão morto que por sua própria idéia foi dali procurar uma sepultura. Era melhor dar aqui alguns dos papéis escritos por Simão relativamente ao que sofreu depois da carta; mas há muitas falhas, e eu não quero corrigir a exposição ingênua e sincera do frade.

A sepultura que Simão escolheu foi um convento. Respondeu ao pai que agradecia a filha do conselheiro, mas que daquele dia em diante pertencia ao serviço de Deus.

O pai ficou maravilhado. Nunca suspeitou que o filho pudesse vir a ter semelhante resolução. Escreveu às pressas para ver se o desviava da idéia; mas não pôde conseguir.

Quanto ao correspondente, para quem tudo se embrulhava cada vez mais, deixou o rapaz seguir para o claustro, disposto a não figurar em um negócio do qual nada realmente sabia.